Sejamos realistas a respeito do Partido Democrata

Photo: Jose Luis Magana
Share with your friends








Submit
Este artículo en español
This article in English

Cada período eleitoral é um momento de grande ansiedade para os eleitores dos Estados Unidos e o atual, provavelmente está causando pesadelos, especialmente naqueles que detestam Donald Trump e sua política xenófoba, misógina e racista.

As pesquisas de opiniões e os números baixos de votos mostram de forma consistente o que a maioria das pessoas pensam a respeito dos partidos democrata e republicano: não muito. Para muitos dos que votam, trata-se de prender a respiração e eleger o candidato que considerarem um mal menor.

Sem dúvida, esta prática perpetua um ciclo vicioso, no qual se garante que os trabalhadores e os povos oprimidos nunca obtenham o que necessitam. É hora de reavaliar seriamente esta estratégia!

Comecemos com algumas considerações objetivas sobre o trajeto dos democratas no governo. O que significa considerar não o que estes falam, mas o que eles fazem.

War, Inc. (Guerra S.A.) Os democratas iniciaram, facilitaram ou intensificaram cada guerra importante e “ações policiais” internacionais neste século e no anterior.

Lydon Johnson, ao mesmo tempo em que falava ao povo pobre trabalhador, uma frase que lhes parecia favorável: “A Grande Sociedade”, se ocupava intensificando a Guerra no Vietnam. Em 1964, com os democratas dominando a legislatura, o Congresso aprovou a resolução do Golfo de Tonkin e outorgou ao presidente um poder quase ilimitado para dar continuidade à guerra.

O resultado foram três milhões de vietnamitas assassinados, dois milhões de feridos e 55 mil soldados norte-americanos mortos, muitos destes, pertencente aos grupos de pessoas de baixa renda e negros, aos quais Johnson havia prometido ajudar.

Os dois Bush nos deram as Guerras do Golfo, mas não poderiam tê-lo feito sem os democratas.

O senador liberal Tom Daschle foi o coautor da Autorização ao presidente para o Uso da Força Militar – AUMF[1] que conferiu autoridade ao presidente para fazer uso da força contra quem ele determinasse que houvesse “planejado, autorizado, se envolvido ou ajudado” nos ataques de 11 de setembro de 2001.

A AUMF está sendo atualizada este ano e a versão bipartidária proposta outorgaria a Donald Trump e a seus sucessores, poderes ainda mais amplos para atacar grupos que Washington considere “terrorista”.

Durante o último ano da presidência de Barack Obama, ele ordenou o lançamento de mais de vinte e seis mil bombas, muitas delas com drones, em sete países com população majoritariamente muçulmana. Enquanto as forças de operações especiais dos Estados Unidos fizeram operações em 138 países, mais do que no período do governo de George W. Bush.

Porque a agressão estrangeira é bipartidária? Porque é muito rentável. A ação militar protege os interesses econômicos dos Estados Unidos em todo o mundo, ao mesmo tempo em que protege a economia nacional, preocupações que são tão cruciais para os políticos democratas, quanto são para os republicanos.

Oportunidade para todos? Não exatamente. A trajetória também é clara quando se leva em consideração os problemas sociais e trabalhistas internos.

Em relação à imigração, os democratas parecem melhores que seus opositores. Sem dúvida, melhores que Trump, mas as políticas que praticaram não são nada agradáveis.

Obama ganhou o título de “Deportador em Chefe” depois de deportar mais imigrantes do que todos os seus antecessores. Foi muito embaraçoso para os democratas quando foram publicadas fotos de crianças imigrantes em jaulas que os separavam de seus familiares, por ordem de Trump, nesta primavera e que na verdade, eram da época de Obama.

Em fevereiro deste ano, o drama da madrugada anterior à votação para financiar o governo incluiu um apelo apaixonado da líder da minoria da Câmara, Nancy Pelosi em opor-se ao projeto de lei dos gastos públicos, porque o mesmo não previa recursos para jovens imigrantes protegidos pelo DACA[2]. Mas Pelosi orientou na surdina, que os membros de seu partido votassem a favor do projeto de lei e assim, o mesmo foi aprovado com o forte apoio dos dois partidos.

O que falar do Partido Democrata como o “amigo dos trabalhadores”? Podemos citar alguns exemplos de várias e várias traições à classe trabalhadora:

Quando Ronald Reagan demitiu os controladores de tráfego aéreo da PATCO, em 1981, introduzindo um período de sabotagem sindical que permanece até hoje, os democratas não tomaram qualquer atitude.

O candidato Obama prometeu assinar uma Lei de Livre Eleição dos Empregados (Employee Free Choice Act), que facilitaria aos trabalhadores formarem seus sindicatos. Depois que assumiu o governo em janeiro de 2009, com maioria democrata nas duas câmaras do Congresso, os líderes dos movimentos operários pensavam que seria a oportunidade de ouro para a aprovação desta lei, mas os democratas cederam à pressão das grandes empresas e da direita e o projeto de lei desapareceu.

O povo não pode confiar nos políticos democratas que dizem que os representam. Desde a destruição do sistema de assistência social, da aceleração de prisões em massa do governo de Bill Clinton, até a ordem que partiu de Obama reforçando a proibição do financiamento público ao aborto, com a finalidade de aprovar seu plano de saúde, sua palavra não significa mais nada.

Dada sua história, não se deveria esperar mais nada do Partido Democrata, que começou na década de 1800 como um partido de “Diretos dos Estados” que condenava o “grande governo”. Assim como os dois principais partidos representam os bancos e corporações hoje em dia, os democratas dos tempos passados representam a economia do sul, dominada pelos donos de escravos.

Acabemos com a política bipartidária! De tempo em tempo, com o apoio de líderes nos movimentos de trabalhadores e sociais, os democratas se autoproclamam como a única opção para evitar os excessos republicanos. Mas o resultado desta ação supostamente “pragmático” não está funcionando.

Precisamos considerar o que vem ocorrendo nas últimas décadas com a liberdade reprodutiva, o direito ao voto, as liberdades civis, a desigualdade entre a ricos e assalariados, assim como com as perspectivas de paz.

Ambos os partidos têm se movimentado para a direita desde a década de 1970, quando o capitalismo começou a se ver afetado por uma recessão atrás da outra. Isso significava que o liberalismo se converteu em um luxo ao qual o sistema não poderia se permitir.

A campanha de Bernie Sandes levou alguns progressistas e socialistas emocionados a esperara que uma ala esquerda real pudesse desenvolver-se dentro do partido de Bill e Hillary Clinton e, eventualmente, assumir o controle. Essas esperanças se reavivam agora que Alexandria Ocasio-Cortez, membro dos Socialistas Democráticos da América – DAS ganhou uma primária do Partido Democrata em Nova York.

Não obstante, a história demonstra que esta estratégia também está condenada ao fracasso desde a tentativa de Michael Harrington na década de 1960 e a de Jesse Jackson na década de 1980. Um exemplo recente é esmagamento da candidatura popular de Sanders, por parte da máquina democrata.

O povo dos Estados unidos merece algo melhor, mas só obterá quando der um basta e se organizar para uma verdadeira alternativa: um partido de trabalhadores independente dos partidos capitalistas, com um programa de classe, operário, forte, democrático, responsável. seu atrativo teria como base o que ele representa, não em uma estrela do momento, como Sanders.

A necessidade de uma voz política independente para os trabalhadores e os oprimidos é uma das ideias chave da candidatura de Steve Hoffman para o Senado pelo estado de Washington e as ideias são a base de sua campanha. Hoffman, um líder do Partido de Liberdade Socialista que se apresenta como um sindicalista militante e um orgulhoso feminista revolucionário.

Então, nestas eleições, libertemo-nos do ciclo de abuso político! Em qualquer campanha política que possas, vote nos socialistas. Não se conforme com uma alternativa falsa: começa a exigir uma alternativa de verdade

[1] AUMF: Authorization for Use of Military Force

[2] “Deferred Action for Childhood Arrivals”: Programa que concede aos que chegaram aos Estados Unidos de forma ilegal quando eram crianças, vistos de estada e de trabalho por dois anos, renováveis. O Daca evita a deportação temporariamente, mas não garante cidadania futura, nem residência permanente. Fonte: g1.globo.com

*NOTA: O Partido da Liberdade Socialista é uma organização política dos Estados Unidos com a qual Luta Socialista (LS/PSOL) mantém relações políticas fraternais.

Share with your friends








Submit